Palestra sobre “boom” imobiliário mostrou que mercado tem muito espaço para crescer no Brasil e em MS
O presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis da 14ª Região, Eduardo Francisco Castro, deu uma injeção de ânimo para os alunos do curso de TTI (Técnico de Transações Imobiliárias) do Colégio Paulo Freire durante palestra proferida na noite de 25 de outubro, terça-feira, no auditório do CRECI/MS. A palestra “Boom do Mercado Imobiliário” estabeleceu uma ordem cronológica, que mostra que o Brasil sempre teve preocupação com a questão habitacional. Em 1964 se deu a criação do BNH (Banco Nacional da Habitação), mas com a inflação galopante foi necessário criar um Fundo de Compensação de Variações Salariais, que causou um rombo nos cofres do governo e foi extinto posteriormente. Os financiamentos se tornaram impagáveis, com negociações resultando em novos e longos contratos. Em 1988 o BNH foi extinto e a Caixa passou a atuar no crédito, mas foi em 1994, com a estabilidade alcançada pelo Plano Real, que “voltamos a sonhar com a casa própria”, destacou Eduardo.
Apesar da estabilidade, ainda faltava segurança jurídica, que veio a partir de 1997 com a alienação fiduciária, permitindo a retomada ágil do bem em caso de inadimplência, e a reboque a entrada de instituições privadas no mercado. Em 2004 os avanços ficaram por conta da lei de afetação, que tratava da destinação do imóvel. Nos anos seguintes o aumento do crédito imobiliário, de prazos e limites para financiamento, redução da taxa de juros, redução da burocracia e programas como o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e Minha Casa Minha Vida contribuíram para o “boom” que se vê hoje.
E o mercado tem muito o que crescer, mostrou Eduardo. Enquanto no País o crédito total corresponde a 47% do Produto Interno Bruto, o crédito imobiliário só representa 5% do PIB. Isso ao passo em que no México corresponde a 10%, no Chile 20% e nos Estados Unidos 80% do PIB. Além disso, o crescimento das classes C e D no Brasil impulsionam a demanda. Juntas elas já representam um mercado de R$ 834 bilhões, de acordo com o Instituto Data Popular, enquanto o programa Minha Casa Minha Vida II prevê investimentos de R$ 125,7 bilhões até 2014. “Por aí vemos que temos muito o que crescer”, observa o presidente do CRECI.
Eduardo também falou sobre a bolha que se formou nos Estados Unidos, mas lembrou que lá o sistema é diferente do Brasil. A captação de crédito ocorre junto a investidores privados, que direcionaram recursos para construção de imóveis, vislumbrando bons negócios por conta dos preços elevados. Porém, para conter a inflação e a demanda, o governo dos Estados Unidos elevou os juros e inibiu a procura por crédito. Por consequência, as vendas de imóveis despencaram e os preços também, resultando em um alto índice de inadimplência, hoje estimado em 14%, ao passo em que no Brasil nunca chegou a 2%. Os investidores que ficaram sem receber acabaram vendendo ações para se capitalizar, o que provocou queda também nos preços dos papéis, um efeito "ciranda" como define o presidente do CRECI/MS.
Eduardo lembrou que no Brasil os recursos para financiamentos são da poupança e do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) o que significa que enquanto o nível de empregos estiver alto, o mercado de financiamento imobiliário estará a todo vapor. E disse que o Brasil, inclusive, se favoreceu da crise, porque diante da queda de preços de ações muitos investidores voltaram a apostar em imóveis.
O presidente do CRECI lembrou os futuros corretores de imóveis que é preciso acompanhar o mercado e se informar sempre para garantir uma boa prestação de serviço e sucesso na profissão. “Aos que estão saindo do curso, não fechem os livros, continuem estudando, participem das palestras do CRECI/MS. Queremos vocês ao nosso lado, como delegados e conselheiros, ajudando a elevar o nível da nossa profissão”.
O Diretor para Assuntos de Delegados, Delso José de Souza, também falou com os futuros corretores de imóveis, que conheceram as ações desenvolvidas por esta Diretoria do conselho, como a implantação do sistema de webconferência, que possibilita que corretores de imóveis do interior do Estado também acompanhem as palestras no CRECI/MS e também as gestões junto da Sanesul, que garantiu a desvinculação de contas de água do imóvel. Hoje a vinculação dificulta a venda e locação dos bens. Delso falou, ainda, sobre as ações da Diretoria com intenção de implantar espaços exclusivos para atender corretores de imóveis, nas Prefeituras de Dourados e Campo Grande.
A palestra de Eduardo ocorreu a convite do professor da disciplina Operações Imobiliárias do Colégio Paulo Freire, Domingos Sávio Rocha Guimarães. Os alunos vão elaborar um relatório avaliando as contribuições da palestra para os rumos profissionais que irão tomar.
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