A chuva do dia 27 de fevereiro provocou grandes estragos em Campo Grande e colocou em evidência a discussão sobre o impacto dos empreendimentos imobiliários na cidade. A questão, porém, deve ser analisada de forma mais ampla, defende o Conselheiro do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul e assessor técnico do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, José Carlos Ribas.
Ele destaca que é preciso levar em consideração que os investidores cumprem o que é exigido na Lei de Uso de Solo e que é preciso haver uma ampla rediscussão com base em dados técnicos, até mesmo para que os empreendedores tenham uma legislação que dê maior amparo. “Não é possível suspender obras, existe uma necessidade de moradias, o progresso não vai parar”, afirma. Só para este ano a previsão é que o setor tenha crescimento acima de 8%.
Para Ribas, há um conjunto de fatores que deve ser avaliado. Um deles é que, a medida em que surgem novos residenciais, é preciso que o poder público faça as adaptações necessárias para dar suporte, como obras de captação e drenagem e em algumas bacias as lagoas de contenção para retardar o tempo de escoamento das águas. Por outro lado, uma orientação que será dada pelo CREA-MS é que todos os condomínios da cidade implantem sistemas de captação de aguas pluviais e façam o reuso para reaproveitar as águas pluviais. "Isto ja ocorre no primeiro mundo", observa o técnico. A responsabilidade da população também não pode ser esquecida, especialmente quanto aos cuidados com o lixo, para evitar entupimento das galerias, fazendo a acomodação em lixeiras a pelo menos 1 metro de altura.
Ribas afirma que é preciso avaliar a carta geotecnica, o solo da cidade e se o índice de permeabilidade pode ser alterado. “Pode ser que o índice já esteja defasado”, afirma. Hoje a determinação é que as obras preservem pelo menos 12,5% da permeabilidade, para garantir infiltração da água da chuva. "Talvez estejamos errando, pois os indices de permeabilidade são diferentes de uma região para outra", pondera.
Outro ponto enfatizado pelo corretor de imóveis e engenheiro civil é que a Lei precisa passar por mudanças e acompanhar a realidade da cidade e também as mudanças na natureza. “Sabemos que fatos raros estão acontecendo, a natureza está reagindo e isso pode se repetir”, diz. No dia 27, por exemplo, choveu 88 milímetros (litros por metro quadrado) em apenas uma hora e 20 minutos.